O texto “A trilha de terror de Israel na América Latina”, escrito pelo jornalista e fotográfo, Jeremy Bigwood, com base em fatos históricos, constantes em documentos de pesquisadores como Noam Chomsky e outros, documentos secretos norte-americanos recentemente liberados e da polícia secreta colombiana obtidos pela rede Al Jazira, é um relato que demonstra o envolvimento da CIA e de diversos governos isralenses com os grupos de direita, governos que ajudavam as corporações norte-americanas a escorchar seus povos, mercenários e assassinos que os mantinham contra a justa rebelião destes povos.

Logo no início, o texto de Bigwood reproduz uma frase do chefe dos mercenários na Colômbia, Carlos Castaño: “‘Eu estudei uma quantidade de coisas infinitas em Israel e é a este país que eu devo parte de minha essência, minhas capacitações militares e humanas’, disse o paramilitar condenado por tráfico de drogas, Carlos Castaño, em sua autobiografia “Minha Confissão”. Castaño, que encabeça os narcoterroristas colombianos conhecidos pela sigla, em espanhol, AUC, revela que foi treinado em Israel e acrescenta, ‘copiei o conceito de forças paramilitares dos israelenses’”.

Pela importância e atualidade das informações, reproduzimos em dois capítulos a maior parte do texto de Jeremy Bigwood.

“Os paramilitares da AUC se formaram a partir dos assassinos contratados para proteger operações de produção e tráfico de drogas e grandes latifundiários.

De acordo com o informe da polícia secreta colombiana datado de 1989, além de treinar Carlos Castaño em 1983, os instrutores israelenses chegaram à Colombia em 1987 para treinar a outros paramilitares que mais tarde formariam a AUC.

Cinquenta dos paramilitares foram depois mandados para Israel. Posteriormente a AUC se tornou a maior força paramilitar das Américas com cerca de 10 a 12 mil homens em armas.

Os paramilitares da AUC estão sempre precisando de armas e não seria surpresa que alguns de seus maiores fornecedores fossem israelenses. Os negociadores de armas já de muito antes têm uma presença no vizinho Panamá e em especial na Guatemala.

ARMAS ISRAELENSES

Em maio do ano passado a Girsa, uma companhia israelense associada com o exército de Israel e com base na Guatemala adquiriu três mil rifles de assalto Kalashnikov e 2,5 milhões de pentes de munição que depois foram entregues aos paramilitares da AUC na Colômbia.

As relações militares israelenses com os grupos e regimes de direita na América Latina vão desde o México até o sul no Chile e tiveram início poucos anos depois que o Estado de Israel passou a existir.

Mas não é apenas a venda de aviões, armas e sistemas militares que caracteriza a presença israelense na América Latina. No que Israel se especializou foi em consultoria, treinamento e gerenciamento de inteligência e operações de contra-insurgência, participando nas ações de guerra suja nos conflitos civis na Argentina, El Salvador, Guatemala, Nicarágua e agora a Colômbia.

No caso do conflito salvadorenho – uma guerra entre a direita apoiada nos latifundiários, que por sua vez se apoiavam num exército particularmente violento, de um lado e organizações populares de outro – os israelenses estiveram presentes desde o início.

Além de venda de armas eles ajudaram a treinar a ANSESAL, uma polícia secreta que depois construiria a malha dos infames esquadrões da morte que assassinariam dezenas de milhares de ativistas civis.

De 1975 a 1979, 83% das importações militares de El Salvador vieram de Israel de acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo. A partir de 1981 muitos desses movimentos políticos populares que sobreviveram aos esquadrões da morte subiram as montanhas para se transformar em guerrilha.

Ainda que os EUA apoiassem o exército salvadorenho, de forma aberta, em 1981, a partir de novembro de 1983 passou a pedir mais “assistência prática” para lá, de acordo com um documento secreto liberado e obtido recentemente pela Al-Jazira.

Entre a assistência pedida estavam helicópteros, caminhões, rifles, munição e instrutores de combate de infantaria para trabalhar “no nível dos batalhões do exército salvadorenho”.

Um conhecido oficial treinado pelos israelenses foi o Major Roberto D’Aubuisson, que teve sempre uma opinião muito positiva sobre os israelenses. Foi o major D’Aubuisson que dentre os milhares de assassinatos ordenou o assassinato do arcebispo Oscar Romero, de El Salvador, ( reconhecido internacionalmente por denunciar os crimes cometidos contra o povo).

O major organizaria depois a Aliança Republicana Nacional (Arena), uma organização de direita e enviou seu filho para estudar em Israel.

APOIO A SOMOZA

Em 1978, o ditador da Nicarágua Somoza fazia suas últimas tentativas contra os sandinistas que lideravam uma população descontente de sua dinastia familiar que havia governado e monopolizado o país por meio século.

Os israelenses e os EUA vinham suprindo Somoza com armas por anos. Mas, quando o presidente Jimmy Carter chegou à administração em 1976 ordenou que cessasse toda a assistência militar ao governo da Nicarágua. Preenchendo o vazio os israelenses imediatamente elevaram o suprimento de armas a Somoza até que ele fugiu do país quando os sandinistas tomaram o poder.

Os operadores israelenses então passaram a ajudar no treinamento dos contras nicaraguenses nos campos de Honduras e da Costa Rica para lutar contra o governo sandinista de acordo com a polícia colombiana em informes obtidos pela Al-Jazira”.

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