O inimigo número 1 dos povos árabes e em especial do povo palestino, Ariel Sharon, mostra ao mundo que a violência é sua única linguagem. Desde setembro de 2000, quando afrontou os palestinos visitando a Esplanada das Mesquitas, fato que detonou a segunda Intifada, Sharon não tinha dado prova mais eloqüente de que Israel , além de não querer a paz, é o principal obstáculo a que se encontre uma solução pacífica e duradoura ao conflito israelense –palestino.
Com fins diversionistas, o governo israelense invoca o direito de se “defender” do “terrorismo” palestino. Mas é impossível esconder que o ataque à liderança da Autoridade Palestina e ao seu dirigente máximo corresponde a uma declaração de guerra, com todos os traços de agressividade e as conseqüências nefastas que dela possam derivar. Sua motivação não se encontra nas ações desesperadas dos filhos de um povo desarmado confrontado com tanques e mísseis do mais poderoso exército de todo o Oriente Médio. Antes, obedecem ao desígnio traçado pelo Estado sionista, cuja estratégia de sobrevivência como força expansionista depende da subjugação ou do extermínio do povo palestino.

Sharon e seu exército genocida em nada ficam a dever aos assassinos nazistas que perseguiram e massacraram os próprios judeus. A população palestina está confinada em campos de concentração, as tropas sionistas mantêm as principais cidades ocupadas (Belém, Nablus etc.), detendo, torturando e fuzilando os palestinos acima de 14 anos e, ao melhor estilo de Hitler, os soldados israelenses marcam com números os braços dos prisioneiros palestinos, que já passam de 3.000. As últimas informações confirmam que 70 soldados da ANP, mesmo após terem se rendido, foram fuzilados a sangue frio com tiros na cabeça. A imprensa está proibida de ter acesso às cidades ocupadas.

Durante as últimas cinco décadas e particularmente após as guerras de 1967 e 1973, cresceu no mundo, na mesma proporção da escalada da violência israelense, a percepção de que é legítima a resistência palestina. Não é uma casualidade que o ataque ao QG de Arafat tenha ocorrido imediatamente após o encerramento da Cúpula da Liga Árabe, que, malgrado suas contradições e a ausência da delegação palestina, ofereceu um plano de paz aceitável por todos os setores da comunidade internacional sinceramente engajados na busca da paz. Os países árabes proclamaram que reconhecem o Estado de Israel com o qual estão dispostos a manter relações de boa convivência, desde que se resolva a Questão Palestina, o que implica a retirada dos israelenses dos territórios ocupados pela força e a criação do Estado Palestino, tendo Jerusalém Oriental como capital . Politicamente isolado, com sua soberba e intransigência de país ocupante à mostra, Israel decidiu levar o conflito a uma situação limite.

A arrogância de Israel não seria possível sem o indefectível apoio do imperialismo norte-americano, fonte de financiamento do seu Estado terrorista e de equipamento do seu exército agressivo. A diplomacia de Washington, longe de trabalhar pela paz, usa o conflito israelense-palestino como trunfo em sua estratégia geral de ocupação de posições no Oriente Médio. Na crise atual, dá o tom do discurso de criminalizar a vítima e absolver o algoz.


A propaganda que pretende identificar a luta palestina com o terrorismo somente acrescenta indignação ao que a razão já tinha decidido – o indeclinável apoio à causa palestina. Arafat não está blefando quando se declara disposto a se tornar mártir dessa causa . Age com a mesma determinação demonstrada pelos combatentes anônimos, filhos de uma gente indômita disposta a tudo para não sucumbir nem se render. O líder da ANP já demonstrou estar disposto ao diálogo e ordenou o cessar-fogo. Mas não está disposto a se vergar.

No Brasil, os que lutam os contra as injustiças sociais, pela verdadeira democracia, por soberania e por uma sociedade melhor, enfim, os que na esquerda militamos, há tempos somos partidários da causa palestina. Nesta hora grave, juntamos as nossas vozes aos que condenam o genocídio perpetrado por Israel e clamam por uma solução para o conflito arbitrada pelas Nações Unidas. Deter os crimes de que são vítima os palestinos é essencial para que o mundo não sucumba à barbárie.


Os Crimes de Sharon

Laerte Braga

(http://www.lainsignia.org/internacional.html)

O Estado de Israel nunca aceitou a resolução das Nações Unidas que criava também o Estado Palestino. O caráter “expansionista” existiu desde o primeiro momento e ao longo desses anos todos a ação de governos daquele país só confirma isso.

A presunção que de repente o messias pode bater à porta e é preciso estar atento a isso, pois esse messias só vai bater em porta de judeu, é preconceituosa. É a crença na superioridade, nessa conversa de povo eleito. Como se os outros povos fossem ou sejam meros adereços. Hitler também achava isso.

Não há a menor diferença entre Ariel Sharon e qualquer governante sanguinário ao longo da História. Sharon é um criminoso. Como o foram tantos outros, como o é George Bush.

Os acordos de paz, gradativamente assinados, desde o encontro do presidente do Egito, Anuar Sadat com os governantes de Israel e até chegarmos ao governo do presidente Clinton, despertaram na direita israelense a percepção da necessidade de reação, daí esse apetite bárbaro e cruel.

O povo Palestino vive um dos dramas mais comoventes da História. É rejeitado pelas elites árabes, que via de regra são corruptas, ou totalitárias, ou inconseqüentes, como Saddam Hussein. Ou tudo a um tempo só. É esmagado pelos israelenses.

Terminada a guerra do Golfo, o presidente dos Estados Unidos, George Bush, deu uma entrevista em que dizia que o grande desafio do seu país era levar a democracia a estados totalitários como a Arábia Saudita e o Kwait. Fez críticas ao caráter absoluto dos governos desses países, diretamente ligados àquele conflito, mas naufragou nos interesses das grandes companhias petrolíferas, às quais é ligado, ou melhor: saiu do meio, era preposto, como o é seu filho, o atual presidente.

Erros de líderes, mesmo aqueles como Gamal Abdel Nasser, na chamada Guerra dos Seis Dias. O tratamento dispensado ao povo Palestino em constante processo nômade dentro dos territórios de países árabes e os acordos com os Estados Unidos, acabaram por fortalecer em demasia Israel, e de tal forma, provocar um desequilíbrio político, econômico, social e militar na região que, fica difícil encontrar saída que não passe por um projeto comum de governos árabes.

Como agora, a proposta saudita. Em si é correta e é um princípio, sob todos os aspectos. Restabelece, de saída, o primado do direito. O grande desafio é saber se governos corruptos e totalitários como o saudita vão sustentar o plano. Há o risco dos bilhões de dólares do petróleo sepultarem-no e, mais uma vez, largar os Palestinos à sua própria sorte.

O que Sharon chama de terrorismo não difere nem um pouco da ação dos partidários do Likud, o seu partido, antes da resolução da ONU que criou Israel, em 1948.

Menaghen Begin, primeiro líder daquele partido, explodiu um hotel inteiro, cheio de hóspedes, muitas crianças inclusive, na luta pela criação do Estado de Israel. Foi em Jerusalém.

Quando da visita do papa Paulo VI à chamada Cidade Santa, Ben Gurion, principal inspirador do sionismo e primeiro ministro de Israel, recebeu-o na parte judia da cidade e Hussein, então rei da Jordânia, na parte árabe. Os jornais de Telaviv publicaram matérias extensas da direita de Israel e dos líderes ortodoxos (fanáticos fica mais claro) do judaísmo, condenando o governante de seu país. Entendiam que a luta não havia terminado e que Jerusalém teria que ser de Israel.

Ariel Sharon, nessa época, era um dos chefes militares do exército de Israel e já pertencia ao Likud. A rigor uma organização fascista. Com todas as características do fascismo: ódio, presunção de superioridade, preconceito, ação bárbara, violenta, tudo igualzinho.

Sharon foi à parte árabe de Jerusalém, conquistada por Israel em 67, pouco antes do processo eleitoral que levou-o ao governo de seu país. Começa ali a reação dos Palestinos. O ato foi de pura provocação e deliberado.

Era uma etapa do plano de levar a zero todos os acordos de paz até então firmados e de garantir a supremacia israelense na Região, impedindo o surgimento do Estado Palestino. Qualquer pessoa lúcida não tem dúvidas que por detrás do assassinato do então primeiro ministro Rabin estava a direita fascista à qual Sharon pertence.

O que existe hoje, o deprimente espetáculo de barbárie contra o povo Palestino é uma ação deliberada, pensada, planejada em seus mínimos detalhes e Sharon é o principal agente desse terrorismo de Estado. E estão elencados aqui apenas alguns tópicos da trajetória desses novos líderes nazistas. Aprenderam a lição. Passaram de povo oprimido a povo opressor. É bárbaro.

Há anos atrás, o próprio seqüestro, seqüestro sim, de Adolf Eichman, já mostrava esse lado de Israel, de total desrespeito pelo direito internacional. Eichman era um sargentão boçal, com a tarefa de coordenar a eliminação de judeus em campos de concentração nazista. De ler a lista, digamos assim. Sharon tem um monte de gente como Eichman ao redor dele, ele próprio, todos encarregados de eliminar o povo Palestino. São iguais, rigorosamente iguais.

Por detrás de tudo isso o extraordinário poder econômico dos judeus norte-americanos. Que, num toque macabro, são também os grandes sócios das companhias petrolíferas norte-americanas, as chamadas sete irmãs (que devem ser dez, vinte). Agem em conluio com os governos árabes corruptos.

Essa maneira perversa de manter interesses do capital não difere em lugar nenhum do mundo. As elites são iguais aqui ou acolá. A associação entre criminosos fascistas como Sharon, ou como Bush, seja o pai ou seja o filho, com o capital, permeia a “globalitarização”, para usar um termo do sociólogo brasileiro Milton Santos.

Seja nos momentos de guerra, como no Oriente Médio, ou seja quando a Polícia Federal brasileira humilha e tortura trabalhadores sem terra. Ou Duhalde cai de quatro para o FMI.

A ação militar dos Estados Unidos no Afeganistão e o desespero insano de Bush para despejar bombas sobre o Iraque. A chamada “Operação Colômbia”, tudo isso está interligado e voltado para um só objetivo: o domínio totalitário do capitalismo.

Essa conversa idiota que Yasser Arafat não consegue dominar os “terroristas” e daí a necessidade de retaliação ou assassinatos seletivos (prática que o Mossad sempre adotou, mesmo em tempos mais tranqüilos), serve apenas à propaganda nazi-israelense, avalizada pelos norte-americanos e o que eles representam no mundo de hoje. A própria mídia capitalista tem dificuldades em esconder a estupidez criminosa das tropas de Israel. Foram vários os registros dessa barbárie. Da insensibilidade dos assassinos fardados do governo terrorista de Ariel Sharon.

O que acontece hoje no Oriente Médio é a demonstração do que o capital é capaz para manter sua supremacia. Seu domínio. Palestinos não interessam para essa gente. Representam problemas para seus interesses. Logo…

Sharon foi o responsável direto, abriu o caminho, para que grupos de direita do Líbano promovessem os massacres dos campos de Sabra e Chatila. São momentos indeléveis da estupidez humana.

A solução final. O extermínio. É o que estamos assistindo.

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